Entre a verdade e a manchete

Em tempos onde os bastidores do futebol são mais determinantes que a bola no gramado, não é de se estranhar que o torcedor espere todo tipo de ocorrência bizarra vinda da política de um clube. A torcida do Grêmio em especial, tende a lidar com o fomento de cada dia que algumas alas do noticiário esportivo regional aplicam a todo e qualquer evento do clube. Estranhamente, em alguns momentos, parece que isso tornou-se tão intrínseco em nossas manchetes, que alguns torcedores apresentam uma espécie de Síndrome de Estocolmo (aquela onde a vítima se apaixona pelo agressor) para com a agenda negativa. Se alguém sai do Grêmio, não basta a justificativa emitida pelo clube. As pessoas sentem a necessidade de investigar a fundo, na esperança de um audio de whatsapp ou uma confissão de “alguém muito bem informado” sobre uma briga no vestiário. Os dirigentes, membros da comissão técnica e jogadores não podem ter deixado o clube pelos mesmos motivos que as pessoas comuns praticam: Por causa de sua vida pessoal, em prol do ambiente familiar, por estarem de saco cheio ou até pra fazer um pé de meia.

É nesse momento que temos uma didática exemplificação do princípio mais básico da economia:  A lei da oferta e demanda. O torcedor demanda crises, então a imprensa vai procurar oferecer crises. Se a imprensa começa a oferecer crises que o torcedor não demandou, sua postura natural deveria ser não consumir tal conteúdo. TODAVIA estamos falando de futebol, não de economia. As coisas funcionam diferente aqui. Aqui, será possível ouvir alguém falando em 2023 que o Grêmio perdeu um jogo por 1×0 por ter demitido o Espinosa por [INSIRA O MOTIVO AQUI] em 2017. Ou então teremos a saída de um atleta motivada pela indesejável presença do DNA de Odorico Roman – o carrasco – no vestiário. Deixemos nossos drones em alerta.

Talvez nem sempre a verdade renda uma boa manchete. Talvez a verdade a nós concedida também nem seja completa. Aí cabe decidir se ficar abrindo feridas será benéfico para o clube que apoiamos ou para a imprensa que criticamos. Respeitemos nossa gente. Em especial os campeões. De que lado você está?

 

abraço aos leitores,

 

Fernando Scaraveli.

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