Hora de virar a página

O futebol nos prega peças. É engraçado pensar que há dois anos, a absoluta maioria da torcida gremista lamentava o retorno de Edílson para a lateral, ao passo que hoje paira um clima de velório em qualquer dialogo tricolor que toque sua despedida.

Edílson chegou ao Grêmio junto com Kannemann, outro que não foi muito bem endossado, muito por estar reserva no Atlas, cuja zaga contava com o nada saudoso Felipe Baloy. O futuro mostraria que seriam esses os dois responsáveis pelo fim do mal crônico que impedia o Grêmio de ser campeão: o acadelamento. – No meu próximo texto falaremos exclusivamente do acadelamento -.

Com duas faixas no peito, Edílson deixa o Grêmio causando embates entres os torcedores, que adoram discutir quem é ídolo e quem não é. Perda de tempo. Aliás, falando em tempo, ele mostra quem realmente vira ídolo absoluto do clube. Daqui algumas décadas, quando falarem da libertadores de 2017, alguns nomes serão automaticamente pronunciados de maneira unânime. Assim como inevitavelmente De Leon e Renato brotam da fala de qualquer um que ameace divagar por 2 minutos sobre 1983, mesmo aquela equipe tendo outros grandes valores individuais. Em períodos recentes, a concepção de ídolo é muito pessoal. Pra uns, Tcheco é um ídolo, por ter representado nas horas difíceis e por ter demonstrado garra em times limitados. Pra outros não, por não ter sido campeão. O problema é quando esses outros querem obrigar a pessoa a “desidolatrar” o atleta por conta de sua opinião própria. Os ouvidos do Tcheco devem até estar ardendo menos, com o Edilson virando a bola da vez.

Neste momento, surge todo tipo de desabono para a figura do lateral: mandou áudio reclamando de falta de contraproposta, já entrou com ação contra o Grêmio, blá, blá, blá, etc. Edílson já foi para o Cruzeiro, nada disso vai fazer ele voltar, ou tampouco apagar o que ele fez e conquistou em campo. Essas discussões simplesmente não levam a lugar nenhum. Não adianta ficar magoado, pois friamente, é compreensível o que ele fez. Edílson completa 32 anos em 2018, e dificilmente conseguiria um bom contrato após o fim do vínculo com o Grêmio. Isso sem contar que o próprio Grêmio já o dispensou no passado após uma troca de comando (obrigado pelo Pará, pofexô). O contrato oferecido pelo Cruzeiro garante um salário 450 mil reais ao jogador até dezembro de 2020, quando o mesmo estará prestes a completar 36 anos. Sem contar, luvas e premiações. Edílson optou por deixar o Grêmio e fazer sua previdência privada. Não há nada de errado com isso. Se houve falta de ética nessa trama, foi da parte do Cruzeiro, que, num mundo ideal, deveria solicitar permissão ao Grêmio para negociar com seu atleta. Mas em se tratando de Brasil, é esperar demais. O Atleta é apenas uma pessoa pensando em seu futuro em primeiro lugar, coisa que muita gente que critica faria igual.

Sem dúvidas, Edílson é uma grande baixa no vestiário. Mas o Grêmio vai continuar. Como continuou sem o Pedro Rocha. Como vai continuar sem Arthur e Luan. O time de 2017 deu tanta alegria que não queremos que ele se vá. Mas os atletas são pessoas como nós, meros mortais, já o Grêmio…

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