O Gauchão é a nossa Copinha

É preciso filosofar por várias horas na busca por motivações que ajudem a absorver a transição Mundial-Gauchão. O Grêmio, entidade que exerce espaço paternal no humor cotidiano de todo bom adepto, fez a gente encerrar 2017 num estado de euforia ímpar. Ainda não foi possível terminar de esfregar na cara das pessoas que “meu time é o atual campeão da américa”. Ainda não foi possível aceitar que estava dando um zero a zero perigoso até aquela barreira abrir. Eis que então o noticiário esportivo nos coloca frente a frente com o São Luiz de Ijuí. A gente devia ter acabado com esse planeta.

TODO MUNDO sabe quando um campeonato não vale nada. Eu, tu, ele, nós, vós, eles. ENTRETANTO a galera da mídia tem boletos pra pagar mesmo na pré-temporada, e por isso a ânsia por inventar grandes competições. Na cronologia da tragédia: Jogos das estrelas, Copa São Paulo de futebol Junior e os grandiosos estaduais. Tem gente que cai. Ora pois, FALE O QUE QUISER, mas a verdade é que a Copinha serve pra revelar e o Estadual pra aquecer. Aquecer titulares e definir reservas. Pelo menos pro time que vislumbra coisas que se encontram um pouco mais adiante no calendário é assim. Não estranhem se os torcedores adversários discordarem, é que para todos eles só existe o gauchão e a luta para pela sobrevivência em suas divisões.

Também não sejamos injustos, é bom ganhar um campeonatinho meia boca. Como diria Felipão, um cafezinho. Mas essa é uma felicidade com efeito de droga: efêmera e ilusória. O que realmente importa é planejamento. É por isso que não se deve iludir com Copinha. Base serve pra revelar. Torcemos para um time de futebol profissional.  Nada mais justo que querer títulos profissionais. (Parênteses para lembrar que o maior Corinthians tem 10 títulos da copinha e não revela ninguém). E é aqui que se justifica em detalhe o planejamento do Grêmio. Jogador jovem que está pronto pra disputar título vai procurar espaço no time profissional – mas ao mesmo tempo sem botar moleque em fogueira e queimar cartucho (menção honrosa à gestão Odone e comissão técnica de Celso Roth no caso Douglas Costa) – Pronto. Encontramos uma justificativa pra alentar no estadual. (aqui menção honrosa pra gestão Romildo e comissão técnica do Renato no caso Arthur, revelado na primeira liga).

Perdoem se o texto aparente um quê de desdém. Não foi a intenção. Gostamos do estadual. O Gauchão é a nossa Copinha.

 

Por Fernando Scaraveli.

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